• Kanucha Barbosa

Amor adolescente versus amor adulto...


Arte: Verena Smit


Qual é a diferença entre um amor adolescente e um amor adulto? Em “Pessoas Normais”, livro recém-lançado no Brasil pela Companhia das Letras escrito pela irlandesa Sally Rooney, os jovens Connell e Marianne vivem uma relação que começa no colegial e se estende por alguns anos, passando por momentos de separações. O que faz a gente refletir sobre a singularidade de uma paixão arrebatadora enquanto ainda nem saímos da escola.


Pensando rápido, consigo lembrar de dois casais de amigos que se conheceram aos seus 15, 16 anos e hoje, na casa dos 30, ainda estão juntos. Ambos casados e felizes, tipo “era pra ser”. Deve ser algo especial você conhecer seu parceiro (ou sua parceira) de vida numa época tão confusa e intensa da vida e atravessar os vinte anos com ele/ela.


No entanto, a grande maioria deixa o amor da escola na escola mesmo, sem sobreviver à faculdade ou ao trabalho. Do ponto de vista romântico, eu, particularmente, não tenho tanto em comum com minha versão adolescente, que se apaixonava por pessoas que hoje não fariam meu tipo nem por um minuto.


Quando a vida passa a ser mais que a escola, a gente começa a se construir diferente, se conhecer. Aquela pessoa que tínhamos certeza que morreríamos se não nos casássemos fica para trás. Na adolescência, o término parece um luto, acreditamos que a vida acaba ali mesmo. Na transição para a vida adulta, passamos por tantos desencontros amorosos que finalmente percebemos que não é fatal. Ainda bem.


O amor adulto pode ser menos febril, diferente daquilo que a gente imaginou e sentiu no passado. Mas é um amor acalentador e seguro. É curioso pensar que algumas pessoas recuperam essas atitudes adolescentes ao longo da vida. Uma vez, percebi isso observando uma amiga de 30 e poucos anos que estava num casamento problemático e teve um caso com outro homem. Talvez, para alguns, ser adolescente novamente pode ser irresistível.


Dá pra sentir na carne o relacionamento de Connell e Marianne. Por mais que se desencontram e se magoam, acabam voltando como imãs. No caso deles, a sensação de urgência somada à insegurança típica desta fase torna tudo tóxico. Tenho certeza que se lesse este livro aos 16 anos, teria impressões completamente diferentes das que tive hoje, olhando os dois como se eu fosse uma senhora com um sorriso no canto da boca que pensa: “Ah, se eles soubessem…”


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