• Kanucha Barbosa

E se alguém te chamasse de medíocre?


Sim. E se alguém que você admira te dissesse que você é uma pessoa medíocre? Mas no sentido literal da palavra: que você é comum, sem originalidade. Me fiz essa pergunta ao ler recentemente “Cidade das Garotas”, de Elizabeth Gilbert, quando a personagem principal é acusada de ser apenas uma garota banal. Para alguém de 19 anos, como era o caso de Vivian Morris, isso pode ser o fim do mundo. Para mim aos 19 anos, uma adolescente recém-chegada a São Paulo cheia de sonhos, isso com certeza seria o fim do mundo. Até para a Rory, de Gilmore Girls, quando seu sogro a desencorajou de ser jornalista, foi o fim do mundo...

No entanto, hoje, aos 30 e poucos anos, confesso que isso me abalaria, é claro, mas não com a mesma intensidade de antes. A verdade é que a maioria dos seres humanos vai passar por aqui sem muitas contribuições grandiosas em escala mundial. Sei que isso pode soar um pouco triste ou conformista, mas se colocarmos os pés no chão e pensarmos matematicamente, quantas pessoas de 7,7 bilhões são realmente indispensáveis para a Terra hoje? Vamos pegar a Beyoncé como exemplo. Ela faria falta pro mundo? Sim, com certeza. Além de ter criado a música que tocou no meu casamento quando eu joguei meu buquê (Say My Name), ela inspira e empodera um incontável número de mulheres no planeta, entre outras coisas. Vamos pegar a Kanucha (essa que vos escreve). Eu faria falta para o mundo? Não… Nenhum pouco. A minha “não existência” não alteraria o curso da história. É claro que eu sei que faria falta para o meu mundo. Para os meus pais, minha irmã, meu filho, meu marido. Com certeza, minha ausência iria alterar o curso da vida deles. E é aí que eu quero chegar.


Com 19 anos, a gente sonha em ganhar um Oscar, um Nobel, um Pulitzer. Sonha em estar em um palco cantando para milhares de pessoas, que gritam seu nome em coro. Sonha em descobrir a cura do câncer, ir pra lua. Eu, pelo menos, sonhava com tudo isso. Mas depois a gente vai percebendo que a maioria dessas coisas não vai rolar. Então temos algumas saídas. Uma delas é adotar um estado de insatisfação crônico e ser aquela pessoa que só reclama e sofre. Outra é diminuir a grandeza dos nossos sonhos: uma casa bacana e gostosa de estar, um amor para dividir a vida, um trabalho que não faça a gente odiar segunda-feira, um círculo de amigos divertidos, uma rotina saudável e com atitudes que impactem positivamente as pessoas que nos cercam (ou apenas não atrapalhar ninguém, já tá bom). Veja bem, não estou dizendo que essas são as únicas saídas… Você pode tentar ir atrás desses sonhos maiores a qualquer custo também se quiser, todo mundo é livre.


Quem sabe, no fim das contas, baixar as expectativas e não relutar contra a banalidade pode ser até engrandecedor. Deste modo, talvez a gente consiga dar valor ao tempo, às pessoas que estão ao nosso redor e construa uma história cujo fim será morninho, como uma manhã preguiçosa de domingo, daquelas que a gente não precisa sair da cama por nada…

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