• Kanucha Barbosa

Novos rumos

Lá em março, quando as lojas começaram fechar suas portas em São Paulo por causa da pandemia do coronavírus, Letícia Romão Correia, como muitas pequenas empresárias, temeu pela AVA, sua marca de moda. Pensou até que havia chegado ao ponto final. No entanto, respirou fundo e seguiu em frente, vivendo um dia de cada vez e se adaptando às mudanças que a quarentena trouxe. Com ações focadas no digital e na comunicação, inúmeras trocas com outras empreendedoras e com a empatia de suas clientes, sua marca segue um rumo completamente diferente do que ela havia planejado, mas com mudanças positivas. No meio disso tudo, Letícia ainda descobriu que estava grávida, o que a ajudou a ver as coisas sob outra perspectiva. A seguir, nosso papo com ela!



Lá no começo, quais foram as suas primeiras preocupações em relação à sua marca?

Na primeira semana, sinceramente, achei que seria o nosso fim (meu marido falou que eu cheguei no fundo do poço)! Foi um grande baque pra mim, nunca imaginei ter que fechar nossas três lojas. Tínhamos acabado de receber quase toda a coleção de inverno, com muitos fornecedores para pagar e sem previsão de faturamento nas lojas físicas por tempo indeterminado. Achei que não daríamos conta.


Ao longo do tempo, essas preocupações mudaram?

Sim e muito! Tive uma surpresa bastante positiva, nossas vendas do site decolaram! Assim que a quarentena começou, mudamos todo o estilo da comunicação, adaptamos looks para ficar em casa e investimos principalmente na nossa linha de pijama, que foi um estouro. Depois do primeiro mês de quarentena, eu estava tranquila que conseguiríamos sobreviver a essa tempestade.


Quais são as maiores dificuldades como empreendedora nesta fase que estamos passando?

Sem dúvida, a maior dificuldade é manter um caixa saudável para atravessar esse momento turbulento, vai sobreviver quem tiver caixa para aguentar. Além disso, ter uma comunicação transparente, tranquilizar a equipe na medida do possível e não deixar se paralisar pelo medo! Continuar comunicando as novidades, ativando as mídias sociais, claro que tudo adaptado ao momento que estamos passando.


Você sente mudanças no comportamento da cliente nesta fase de quarentena? Quais?

Sim, logo que as lojas fecharam, muitas clientes nos procuraram querendo nos prestigiar neste momento difícil, foi tão legal. Somos uma marca pequena e conseguimos sentir a empatia delas nesse momento. Na fase de adaptação, algumas entregas se atrasaram ou tivemos demora maior nas respostas e, mesmo assim, elas foram queridas e compreensivas"


Acha que essas mudanças perdurarão?

Acho que sim (ou espero haha)! A pandemia pegou todo mundo de calça curta e acredito que muita gente repensou suas relações, não acho que vamos andar para trás.


Você acha que será necessário repensar a estratégia da sua marca de maneira geral?

Sim, nós literalmente repensamos TUDO por aqui: o peso que tem o e-commerce na nossa operação, a nova forma de atender nas lojas físicas e reprogramamos toda a nossa coleção de verão, fizemos muitas peças com reaproveitamento de material e aumentamos ainda mais a nossa linha de pijamas & homewear. No momento de crise, a gente conseguiu pensar em maneiras de sermos mais sustentáveis e econômicas, no final, muitas mudanças positivas.


Agora, sob um aspecto pessoal. Você acredita que sua mentalidade e visão de mundo tenha sofrido alterações nestes meses de isolamento?

Eu acho que essa é uma crise do coletivo. Pensar no próprio umbigo não vai resolver. Vi muitas marcas se ajudando, trocando, coisa que eu não via antes.


Como consumidora, seu comportamento mudou?

Não muito, para falar a verdade. Por mais que eu trabalhe com moda não sou consumista e nos últimos anos já tenho feito escolhas mais conscientes. Compro sempre que possível de marcas independentes e o mais importante, eu namoro muitoooo a peça antes de comprar.


Como é estar grávida no meio de uma pandemia?

Uma loucura! Foi uma surpresa muito boa no meio de tudo isso, não estávamos esperando ser tão rápido. O que foi muito bom é que eu comecei a ver os problemas de outra perspectiva, simplesmente as coisas ficaram tão menores. Estamos curtindo muito esse momento. Até rolou um chá revelação virtual!


Do que você mais sente falta?

Ai, tanta coisa. Das minhas amigas, de tomar café na padaria, passear no parque, restaurante e poder viajar, desmarcamos uma viagem que estávamos doidos para fazer :(


O que você deseja para o futuro, pessoal e profissionalmente falando?

SAÚDE, principalmente e que a nossa baby venha ao mundo em uma situação melhor. Profissionalmente, que eu consiga aprender ainda mais com a AVA e que possamos levar nossas peças que fazemos com tanto carinho para ainda mais pessoas :)



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