• Kanucha Barbosa

Uma conversa com Bia Perotti

Bia Perotti é referência no universo da moda. Seu “Os Achados da Bia” foi um dos primeiros blogs fashionistas de uma onda que começou lá atrás, antes até do Instagram acontecer. Em seu perfil @biaperotti, a gente não encontra apenas looks do dia, mas um conteúdo muito bem pensado por trás de cada post. A expressão “roupa com significado” talvez seja a que mais remete a ela, quando pensamos em seu trabalho.


Há 11 meses, Bia deu à luz Gael e desde então sua vida deu uma guinada não apenas no aspecto pessoal como em sua carreira. A seguir, confira nosso papo com ela sobre como tem sido seus dias nesta quarentena, divididos entre a maternidade, o casamento e o lançamento de um grande projeto profissional.



Conta um pouco como estava a sua rotina pré-pandemia?

Antes do isolamento, estava ainda em licença maternidade, com meu bebê, Gael, de 7 meses e meu marido trabalhando de casa (ele é de BH e, desde que nos casamos e ele se mudou para SP, em março de 2019, ainda não tinha montado seu escritório). Ou seja: já estávamos os três confinados! Eu não voltei a trabalhar depois dos 4 meses da licença pois resolvi empreender e, justo quando colocaríamos Gael na escola (não temos babá também!), eu lançaria um site com meus cursos e Rafa iria para o escritório. Daí aconteceu tudo isso. Literalmente na mesma semana. Assim, seguimos, com a diferença de que agora não temos ajuda com os afazeres da casa. Mas, posso dizer que na rotina e relacionamento, pouca coisa mudou.


Como foram os primeiros dias de isolamento?

No começo estávamos ansiosos, sem saber ao certo quanto tempo isso tudo duraria, mas também levando a vida. Tivemos que nos adaptar quanto à rotina dos afazeres da casa como cozinhar, lavar a roupa, limpar, pois dispensamos nossa ajudante. Acho que, apesar de o começo ter sido conturbado (pois ainda tem o bebê para ser cuidado 24h e nossos trabalhos que não pararam!), essa quarentena forçada nos ajudou em coisas que deveríamos ter feito assim que casamos, mas que, com a chegada do Gael, acabou ficando em segundo plano, sabe? Tivemos nossos desentendimentos, normal, mas, no fim, nos entendemos e hoje levamos as coisas de uma forma muito mais leve e organizada do que antes. Além disso, eu e meu marido passamos a nos envolver em assuntos que não dávamos tanta importância. Agora, por exemplo, ele está expert na organização macro da casa, como fazer compras e cuidar dos estoques.


Quais foram suas maiores ansiedades no começo?

Me preocupei mais com a saúde dos meus amores (marido, filho, pais, irmão, sogros, cunhados, amigos…) Não queria que ninguém pegasse essa doença que se manifesta de maneiras tão diferentes em cada pessoa. Não sabemos o que esperar, né? Depois, foi em relação à nova rotina, como iríamos nos adaptar, com o trabalho… Rafa trabalha com turismo, um dos setores mais afetados. No entanto, nos reinventamos e estamos dando conta de tudo, com muita calma, empatia, meditação e terapia. Nada como um dia após o outro.


Você percebeu mudanças na sua forma de tratar algum determinado assunto com a quarentena?

Sim, como comunicadora, tenho sido bem crítica com o conteúdo que compartilho. É hora de olhar para o coletivo, pensar no outro e abordar temas mais amplos, digamos. Não me sinto confortável em divulgar looks ou coisas mais “fúteis” enquanto tem gente passando por coisas bem pesadas. Tenho o privilégio de poder ficar em casa, me cuidando, o que não acontece com todo mundo, então acho que se colocar no lugar do outro virou algo de primeira ordem. Outra coisa que tenho evitado discutir é sobre política. Triste já termos que enfrentar uma pandemia, com o país dividido, então, mais pesado ainda.


Quais são os desafios do seu trabalho, em particular, neste isolamento?

Como disse, tenho tido o cuidado de tratar os temas de forma séria, com empatia e sem alienação sobre o que está acontecendo. Ao mesmo tempo, tento pensar em temas “leves” que possam ajudar na ansiedade e trazer bem-estar a quem me segue. É uma linha tênue, mas importante. E acho que, mais do que nunca, tenho que ser acessível e próxima do meu público. Acabei de lançar meu novo site com opções de cursos online e me questionei muito se esse era o momento. Ao mesmo tempo, foi um projeto no qual de me dediquei de todo coração e sei que os temas abordados podem ajudar as pessoas a se sentirem bem, então foquei nisso, em transformar o trabalho também em uma ferramenta para me aproximar e ajudar com o que sei fazer.


Você já enxerga alguma mudança de comportamento das pessoas (e seu) em relação a consumo, especificamente na moda?

Sim, com certeza! Eu sempre fui defensora de compras conscientes, de um armário inteligente e sem excessos, que converse com seu lifestyle. Adoro comprar em lojas vintage, garimpar tecidos e fazer minhas roupas, reformar… Acho que vimos que precisamos de menos, muito menos para viver. Claro que a cadeia tem que girar, mas com autoconhecimento e consciência, dá para fazer escolhas mais assertivas e significativas.


Vamos falar de maternidade. O que achou mais desafiador nela?

Todos os dias são desafiadores, né? Acho que todas as mães devem sentir insegurança, ainda mais quando surge uma novidade, seja na alimentação, uma febre… Mas para mim, até hoje, é a privação de sono. Quis amamentar Gael no peito até um ano (ele tem 11 meses!) e sigo acordando de 2h em 2h a noite, o que é bem cansativo, mas ao mesmo tempo me sinto forte e satisfeita por estar conseguindo.


E mais recompensador?

Ah, tudo! Cada sorriso, beijo, abraço, gracinha que ele faz eu me derreto. Ele é muito amoroso e “gente boa”. É muito gratificante ver que estou criando um serzinho fofo e educado e é impressionante como a maternidade me faz uma pessoa melhor.


Você falou recentemente sobre a cabala no seu perfil no Insta. Conta um pouco pra gente sobre a sua relação com este assunto?

Comecei a estudar cabala em 2015, em uma fase em que estava pra baixo, sentindo falta de uma “luz”, se é que podemos falar assim. Minha terapeuta me indicou o livro “O Poder da Kabbalah”, de Yehuda Berg, e me interessei pelo assunto logo de cara. Fiz 4 cursos seguidos (até o Kabbalah 4) e depois dei um tempo, pois achava que precisava viver e colocar em prática as coisas que tinha aprendido. Foi muito bom e importante! Digo que ela me procura sempre, mesmo quando eu a esqueço. Foi algo que aconteceu recentemente e casou com essa época confusa de pandemia. Voltei a estudar e tem sido um divisor de águas, de novo. É legal porque quando você começa a aplicar os conceitos até nas pequenas coisas do seu dia a dia, muitos caminhos se abrem, você encontra ou reencontra pessoas necessárias naquele momento… é bem mágico!


O que você espera do mundo pós-pandemia?

Espero mais união, em todos os sentidos que essa palavra possa ter. Mais proximidade (xô, distanciamento social, quero muito estar mais próxima, ao vivo, abraçando, beijando) e também numa corrente em prol do coletivo, nas lutas pelas causas que antes não existiam, nos questionamentos, em se colocar mesmo no lugar do outro.








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