• Kanucha Barbosa

Workin' Moms e a sensação de pertencimento


Pertencimento. Essa é uma sensação que buscamos desde sempre. Entramos na adolescência e queremos fazer parte de um grupo, mesmo que de duas pessoas, que tenha características em comum. Depois vem a faculdade, escolhemos nossa turma, e no trabalho também. Assim por diante. O bacana disso tudo é que quando a gente muda ao longo da vida, vai acumulando relações com tribos diferentes. Ainda bem!


A série canadense Workin' Moms, da Netflix Brasil, fala disso. Um grupo de mães que se reúnem com seus bebês para falar sobre o dia a dia delas, como uma terapia. Sempre pensei que estes encontros (Alcoólatras Anônimos, grupos de luto, vigilantes do peso, compradores compulsivos - alô, Becky Bloom) fossem algo muito mais americano/europeu do que brasileiro. Seja em filmes, livros ou séries, parece que eles inventam grupos para tudo. Pode ser uma coisa meio white people problem, mas ao mesmo tempo, pode ser algo válido para quem participa.

Workin’ Moms é uma delícia de assistir. É rápida, engraçada e bem canadense - e eu adoro os canadenses. Adoro o sotaque engraçado deles, a fama de bonzinhos e as ideias evoluídas. Na trama, Kate, Anne, Frankie, Alicia e outras mães (e um pai solteiro) enfrentam situações relacionadas à maternidade: a amamentação, a volta ao trabalho, o casamento, escolinha, a segunda (ou terceira) gravidez e até aborto. Algumas situações em que eu me relaciono muito atualmente, já que tenho um bebê de poucos meses em casa. Mas acredito que até alguém que não seja mãe iria curtir.


Recentemente, por coincidência, encontrei uma amiga que tem um bebê mais ou menos da idade do Francisco, e ela me contou que fazia parte dum grupo de WhatsApp com várias mães na mesma e me colocou lá também. E isso me lembrou bastante aquela busca pelo sentimento de pertencimento. Por mais que eu não conheça pessoalmente algumas das pessoas que estão ali, a troca é tão importante e acalentadora que me trouxe um pouco de paz. Poder falar sobre bebês o tempo todo sem ser julgada ou achar que está passando do ponto é algo libertador. Porque, sim, às vezes estou com amigos que não têm filhos e fico me policiando para não falar bastante sobre o meu.

Para mim, a diferença entre conviver em um grupo específico aos 30 e poucos e antes, na adolescência, por exemplo, é que estou um pouco mais madura e me conheço melhor. Hoje, consigo entender a importância de ouvir opiniões e experiências diferentes e olhar as coisas sob outro ângulo. Mas, também entendo a importância de seguir a minha intuição e lutar por minhas escolhas.

17 visualizações
 

ENTRE EM CONTATO

 

©2018 by Projeto Sofia. Proudly created with Wix.com